Em tempos idos, a Liturgia era considerada a cerimônia oficial da Igreja. Era no tempo que os católicos iam à igreja para assistir Missa, ver batizados, ver a crisma… Era comum, pois, ouvir falar em cerimônia da Missa, cerimônia do Batismo, cerimônias religiosas.

            Há 50 anos, com o Concílio Vaticano II, a Igreja mudou o modo de entender a Liturgia. Você que freqüenta a Liturgia não ouve (não deveria ouvir) mais falar de cerimônia litúrgica. Hoje se diz celebração litúrgica; celebração da missa, por exemplo, celebração do Batismo, celebrar a Penitência. A Liturgia não é uma cerimônia, embora feita de ritos, mas que é apresentada por alguém. A Liturgia é celebração porque envolve quem nela se faz presente.

            A cerimônia diz respeito ao modo exterior de um ato ou de atos ritualizados. Uma série de ritos que alguns realizam e outros assistem. Pede presença, mas é possível não ter algum envolvimento, ou ter um envolvimento protocolar como, por exemplo, aplaudir algum discurso. Celebração, ao contrário, envolve a vida e exige participação. Não se pode pensar em celebração sem participação, porque a participação é uma exigência da celebração; é algo intrínseco ao celebrar. A cerimônia está ligada a formalismos e prescrições. Alguém faz, outros assistem e mantém uma certa distância. Vê ritualismos, mas não toma parte nos ritos. É fácil perceber a diferença entre cerimônia e celebração e mais fácil ainda é sentir esta diferença. Mas, o mais importante está no fato que toda celebração está ligada à recordação de algo importante, seja um acontecimento, seja uma pessoa. Por isso, na Liturgia celebra-se um acontecimento, celebra-se uma pessoa. Celebra-se o acontecimento da História da Salvação e celebra-se a pessoa de Jesus, celebra-se a ação divina no meio do povo e celebra-se o próprio Deus agindo no povo.

            A este ponto é evidente que não é possível confundir Liturgia como a cerimônia oficial da Igreja. A Liturgia é mais que cerimônia; é memória: recorda uma pessoa: Jesus Cristo; recorda um acontecimento: o Mistério da Salvação de Deus. Cerimônia não rima com Liturgia. Afinal, nós não fazemos cerimônia a Jesus Cristo nem à Salvação. Fazemos memória, no sentido teológico de “memorial” de tornar atual; atualizar. Memória com o significado de “recordar”, da palavra latina “re+cordis”: trazer de novo para o coração dos celebrantes, para o coração da Igreja, para o coração do mundo. Na Liturgia, portanto, celebramos Jesus Cristo, celebramos a Salvação, celebramos nossas vidas com Cristo, por Cristo e em Cristo.

Serginho Valle

Fonte: http://liturgiasal.blogspot.com.br/

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