SEGUNDA PARTE
Explicação das orações e cerimônias da Santa Missa

CAPÍTULO I
Primeira parte da Missa: da Preparação pública ao sacrifício e da entrada ao altar

 

Esta preparação inclui o Sinal da Cruz, o salmo Judica me Deus, a confissão dos pecados (Confiteor), as orações para alcançar o seu perdão e para pedir a graça de subir ao altar com pureza. A entrada ao altar compreende o uso do incenso nas Missas solenes, o Intróito, o Kyrie e o Gloria in excelsis Deo.

§ 1 – DA PREPARAÇÂO PÚBLICA AO SACRIFÍCIO

P416. Quando surgiu a preparação pública do sacerdote à santa Missa?
R. A preparação pública para a Santa Missa surgiu no século IX, e era feita pelo sacerdote, não no altar, mas na sacristia, enquanto o coro cantava o salmo do Intróito, ou entrada, e o povo a ele se unia com a invocação do Kyrie eleison. Somente no século XIII, o sacerdote passou a fazê-la diante do altar, quando da sua entrada, iniciando a Missa.
P417. O que representa a chegada do sacerdote ao altar?
R. A chegada do sacerdote ao altar representa a entrada de Jesus Cristo no mundo pela encarnação, e a humilhação do Verbo que se fez carne e assumiu todas as nossas iniqüidades.
P418. Que outras figuras representa o sacerdote diante do altar?
R. Para se entender as cerimônias em suas menores particularidades, o sacerdote diante do altar representa diversos personagens.
P419. Que personagens representa o sacerdote diante do altar?
R. Diante do altar, o sacerdote representa ou figura diversos personagens, tais como:
1º – representante de Deus e dispensador de Seus mistérios;
2º – ministro da Igreja e delegado dos fiéis;
3º – homem pecador, sob cujo aspecto se confunde com os assistentes.
P420. Que deveres acarretam ao sacerdote tais representações?
R. As diversas representações do sacerdote diante do altar acarretam os seguintes deveres:
1º – como representante de Deus, ele não pode abandonar o santuário, lugar de sacrificador;
2º – como homem, ele se detem no primeiro degrau que leva ao altar;
3º – como delegado dos fiéis diante do Senhor, ocupa o lugar intermediário, entre o povo e o Senhor;
4º – como pecador, se inclina profundamente e se prosterna diante da suprema majestade;
5º – como sacerdote, se ergue e permanece em pé; porém, seguindo o exemplo do publicano, a longe stans (Lc 18), separado do altar quanto lhe permite o seu ministério.

Nesta atitude, em que se une e confunde a dignidade e a miséria, a responsabilidade em relação a Deus e a mediação com os homens, a humanidade e o sacerdócio, a santidade do ministério e a debilidade da natureza, o sacerdote beija, com todo o respeito, o livro do Evangelho.
P421. Por que o sacerdote beija o Evangelho?
R. O sacerdote beija o livro do Evangelho para reanimar seu valor e sua confiança para começar o sacrifício, pois, uma vez chegando ao altar, na presença de Deus, seus passos vacilavam de terror e de respeito diante do Todo Poderoso.
P422. Por que o Evangelho reanima e dá confiança ao sacerdote?
R. Porque este é o livro que contem seus direitos à oblação, seus títulos de sacerdócio, a origem e a fonte dos seus poderes, a grandeza da sua missão; é o livro em que resplandece a bondade daquele que veio a chamar os justos e os pecadores, cuja misericórdia concedeu o cargo pastoral ao amor arrependido.
P423. Por que o subdiácono apresenta o livro do Evangelho ao celebrante?
R. Assim como na marcha triunfal dos imperadores romanos um arauto os seguia para lembrar-lhes que eram homens, no caminhar do sacerdote ao altar, um ministro deve lembrar a este homem abençoado por Deus que ele é o sacerdote do Altíssimo e mediador de uma aliança divina. Ao beijar o livro, o sacerdote demonstra sua modéstia e nobre confiança nas promessas de Nosso Senhor nele contidas.
P424. Que representa a inclinação profunda do sacerdote ainda ao pé do altar?
R. A prostração do sacerdote representa, além do rebaixamento do Verbo feito carne, a pobreza do nascimento do Salvador, a obscuridade da sua vida, as humilhações do seu ministério público e, principalmente, o início da Paixão no Horto das Oliveiras, em que Jesus, seguido pelos seus discípulos, afastando-se deles, rezou prostrado, com o rosto na terra, e aceitou o cálice dos seus padecimentos.
P425. Por que o sacerdote faz essa prostração?
R. O sacerdote faz a profunda inclinação pois, ainda que sua alma esteja preparada ao sacrifício pela santidade da sua vida, pelo recolhimento habitual, pelo fervor da oração e da meditação, e pelas lembranças das virtudes que Deus exige do seu representante, simbolizados pelos paramentos sagrados que o revestem, é necessária também uma preparação externa, pública, pela dignidade da ação que vai acontecer no altar, e para mostrar aos fiéis que não devem tomar parte nela sem a devida preparação.
P426. Por que o sacerdote começa a celebração da Missa com a cabeça descoberta?
R. O sacerdote começa a celebração dessa forma porque assim prescreve o rito antigo da Igreja e S.Paulo o recomenda. O Concílio de Roma, presidido pelo Papa Zacarias, em 743, proíbe sob pena de excomunhão ao bispo, ao sacerdote e ao diácono de assistir a Missa com a cabeça coberta.
P427. Qual a postura habitual do sacerdote durante a Missa?
R. O sacerdote habitualmente mantém as mãos unidas, enquanto não há alguma ação ou oração que o façam sair dessa postura piedosa.

(via Fé Explicada)

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